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Histórias de mulheres maravilhosamente reais

06/01/2010

Minha amiga Mara Ellern trabalhou comigo durante algum tempo na Eletropaulo, aqui em São Paulo. Ela era tão dedicada ao trabalho que não tinha horário para parar, ia para o escritório nos fins de semana para adiantar algum serviço, enfim, uma workaholic típica. Vivia para o trabalho e a empresa. Apesar de toda essa dedicação, chegou um momento em que as reviravoltas da vida corporativa a atingiram, e ela foi despedida.

Todos os amigos ficaram preocupados com o vazio que a saída da empresa poderia representar para ela. Mas, ela foi andando, um trabalhinho aqui, outro acolá, dando aula de inglês, enfim, usando um mínimo de sua capacidade fantástica, mas sobrevivendo. Surgiu então uma proposta para trabalhar em Manaus, num projeto interessante e nós, os amigos, pensamos como seria duro mudar para um lugar tão longe e tão diferente.

Bobagem de todos. Ela foi, está lá, dando seu recado e enviou um depoimento maravilhoso no final do ano sobre a experiência, demonstrando mais uma vez que as oportunidades de conhecer melhor esse mundo maravilhoso estão em lugares inesperados e que, muitas vezes, ao nos dar um empurrão, a vida está nos fazendo um grande favor. Gostaria de partilhar com vocês o relato que ela mandou. Vejam abaixo nas palavras dela:

Este ano, esta apaixonada paulista (e diria paulistana por coração) ficou  mais de oito meses no Amazonas, em um projeto de consultoria Manaus, quase nunca com uma boa internet banda larga. Mas morei perto de um igarapé e perto da floresta que me deu a chance de escutar  todos os dias um Sanhaço azul cantar na minha janela; muito curioso e fã de laranjas, mas muito ágil para sair bem nas minhas fotos. Acordava com maritacas brincando em cima do ar condicionado e via araras de caudas longas voarem aos pares nos céus. Uma florzinha do mato amarela reina tranqüila ocupando o espaço da grama seca em todos os lugares. Sempre via borboletas de vários tipos inclusive as azuis, uma delas dentro do corredor principal da fábrica.  

Fui em cachoeiras lindas, uma delas chamada apropriadamente de santuário. Andei em botes nada seguros em águas negras e brilhantes (como um apaixonante “rio de coca-cola”). Vi a maior cheia e uma intensa e preocupante vazante. Fortes chuvas diárias (o inverno do Norte) e quase um mês sem uma gota caindo do céu com dias com 46 graus.


Visitei uma família maravilhosa que vive numa palafita cercada por um jardim arborizado e florido, e lá, ainda maravilhada por ver água por todo lado, comi cacau, jambo  e ingá, e me fartei de laranjas da terra, ouvindo histórias de peixes, sucuris, jacarés e tartarugas .  Vi cores incríveis no início e no fim dos dias, e noites cheias de sons estranhos.

Mas também vi queimadas, desmatamento, poluição, e muito desrespeito à natureza. Mas vi também muita fé, projetos sociais, vontade de aprender e crescer

Apesar de muitas saudades da família e amigos, não posso dizer que me senti só. E, com orgulho, digo que tenho agora entre meus novos amigos um autêntico e orgulhoso índio satere-mawe e sua família. Conheci muita gente maravilhosa e batalhadora (mesmo embaixo de um calor enorme), aprendi um monte de novas expressões, novos sons, aromas, sabores, sorrisos, abraços e quase aprendi dar dois beijinhos. Volto a Sampa melhor, embora mais gordinha de tanto sorvete e cupuaçú… até breve!!

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  1. Nely Bartholomeu permalink
    18/01/2010 8:33

    Eu conheci bem a Mara. Ela é realmente uma pessoa especial. Onde vai planta amizade, simpatia, ternura. As mudanças na vida são boas para a gente perceber que existe “vida” após o trabalho. Aposto como ela está bem melhor agora. Um beijo, Mara! E Carmo, obrigada por nos lembrar dessa amiga maravilhosa!

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