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Mulheres assumindo o poder: ainda existem questões básicas não resolvidas?

31/01/2010

Estudo exclusivo conduzido pelo Great Place to Work, empresa internacional especialista em ambiente de trabalho, aponta que a ascensão profissional feminina que, em 2009, 43% dos postos de trabalho das 100 Melhores Empresas para Trabalhar – que empregam juntas 403.587 funcionários – são ocupados por mulheres. Elas estão em 36% dos postos de liderança, inclusive na presidência de várias empresas. Nos Estados Unidos, entre as 100 Melhores Empresas para Trabalhar em 2009, apenas quatro têm mulheres na presidência.

Interessante como, depois de inúmeras conquistas femininas, ainda temos algumas questões básicas a serem respondidas. Em eventos e entrevistas, pessoas têm me perguntado insistentemente sobre como conciliar a vida profissional com a vida pessoal, especialmente se você tem ou pertende ter filhos. Veja bem, eu comecei a trabalhar na década de 70, quando também tive meu filho e passei por muitas aflições para manter minha carreira andando, sem deixar de curtir e educar meu filho. Hoje, trinta anos depois, por que será que as mulheres ainda não resolveram definitivamente esse assunto para que ele deixe de render comentários e aflições?

Bem, em primeiro lugar, acho que até hoje mulheres e homens não chegaram a um bom acordo sobre divisão de tarefas domésticas e cuidados com os filhos. O fato de morarmos num país de colonização portuguesa,  num processo de desenvolvimento ainda em andamento, portanto com bastante gente disponível para empregos mais simples e de menor remuneração, ajuda a manter os homens fora das obrigações com filhos e casa. As melhores soluções que as mulheres encontram para resolver seus problemas domésticos são boas empregadas ou uma mãe ou sogra disposta a dar uma mãozinha. Com esse tipo de solução, as obrigações domésticas continuam na mão delas e, quando o esquema de suporte falha, as tarefas recaem nos seus ombros cheios de obrigações com o trabalho.

Entretanto, o mais estranho disso tudo é que é possível perceber que, mesmo as mulheres da nova geração, cujos maridos são muito mais cooperativos do que seus pais, continuam a se sobrecarregar de tarefas. É uma atitude  aparentemente condescendente, mas que no fundo esconde uma incapacidade de acreditar que os homens sejam capazes de fazer bem aquilo que sempre fizemos, nossas “obrigações”. Provavelmente eles não fazem mesmo tão bem como nós, mas nunca aprenderão se não os deixarmos tentar e errar para aprender. No fundo, contraditoriamente, não queremos abrir mão de nosso “poder” de cuidar da família e da casa.

Então continuamos dependentes de babás e empregadas domésticas, de mães e sogras, continuamos sendo sacrificadas com mais trabalho, mais exigências de todos. Está na hora de começar a nossa libertação de nós mesmas, assumindo que não precisamos fazer tudo o tempo inteiro, dividindo responsabilidades com nossos maridos e conpanheiros e até nossos filhos, dando o tempo certo para cada papel. Isso nos ajudará a crescer na vida profissional e também na vida pessoal, criando relações mais saudáveis entre todos os membros da família.

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