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As velhinhas

09/06/2010

Vocês notaram como as velhinhas estão presentes no nosso dia-a-dia? Você vai no banco, lá estão elas passando na sua frente e, mesmo que você estaja apressado, desesperado para voltar ao escritório, engole a pressa, enche-se de paciência, algumas vezes até desiste. Elas, faceiras, loucas para conversar, perguntam bobagens para a atendente, contam histórias, demoram para achar alguma coisa na bolsa.

Na saída do escritório, você vai ao supermercado comprar alguma coisa fundamental para o seu jantar. Cansada, depois de um dia cheio de problemas, você não acredita mas lá está outra velhinha, contanto as moedinhas, fazendo um escarcéu porque a moça do caixa não tem uma moeda de um centavo para lhe dar de troco.

Você vai na famácia e lá está mais uma, com uma cesta cheia de produtos, fazendo contas para saber se tem dinheiro suficiente para pagar ou se os produtos são caros demais, ou sei lá o quê. Uma fila enorme se forma atrás da velhinha – porque ela sempre escolhe aquela hora de maior movimento, é a Lei de Murphy – e você é a última da fila. Depois de um tempão, você olha para trás e descobre que o último da fila já é outro, muito atrás de você. Enquanto isso, a velhinha está lá, discutindo com a moça do caixa a respeito do preço e da qualidade dos produtos.

É evidente que elas fazem isso porque provavelmente sentem-se sozinhas e querem mobilizar outras pessoas ao seu redor. Quando você  presta maior atenção, percebe que elas sorriem satisfeitas quando “furam” uma fila, curtem essa vitória sobre o resto da humanidade, talvez porque seja uma espécie de compensação pela perda da juventude, da atenção dos outros, da saúde, da paixão. Elas exercem esse direito sem consideração por ninguém, muitas vezes de doces avozinhas transformam-se em bruxas agressivas, maldosas até. É quase como uma vingança.

Isso me dá um medo danado de envelhecer, – talvez porque estou chegando cada vez mais perto – me apavora porque não quero fazer igual. Pensando bem, talvez nem elas queiram realmente agir dessa maneira, acho que mesmo as que se comportam assim, não têm a exata percepção de suas atitudes. Precisam que os mais jovens lhes deem atenção e as façam perceber que existem outras maneiras de ser interessantes e elegantes.

Quem sabe tem uma velhinha na sua família? Gaste um pouco de esforço e invista nela, crie oportunidades para ela se expressar, mostre coisas que possam interessá-la e explique como certas atitudes são desagradeaveis. Você estará contribuindo para o bem estar não só dessa pessoa, mas do resto da humanidade. É uma atitude “ambientalmente responsável” e chique.

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2 Comentários leave one →
  1. Juliana Torres permalink
    09/06/2010 13:09

    A idade, dona Executiva e chic (será?) chega pra nós todas, e não é chic expressar tanto preconceito para com as que vc chama de “velhinhas”. Pessoas realmente chics, executivas ou não, exercem o dom da caridade, do bom senso, e enxergam as pessoas da “melhor idade”, como pessoas, não como algo que atrapalha sua pressa, que atrasa seu dia ou outra baboseiras. Será que alguém do seu relacionamento, um dia, vai chegar para vc e avisar que vc também é uma dessas velhinhas?, ou enxergarão em vc apenas uma pessoa com as difculdades normais da idade? Vc não é chic.

    • Maria do Carmo Marini permalink*
      09/06/2010 14:42

      Cara Juliana

      Acho que você reamente não entendeu nada do que falei. Se prestasse atenção veria que não tenho preconceito com as velhinhas, pelo contrário, busco entender e até achar uma maneira de ajudá-las a preencher momentos de solidão, coisa que é importante para elas e para quem as ama e considera. Na realidade já passei dos 50 e já posso ser considerada dentro do grupo da “melhor idade” e seria um tiro no pé achar que essas pessoas são apenas um transtorno. Tenho uma grande amiga que já está com 85 anos e outras com idades variáveis, mas passadas dos 70, divertidas, criativas, felizes. Também tenho tias maravilhosas que amo e respeito. E acho que é inteligente e chique mostrar a elas as coisas ótimas que ainda podem fazer, tornando-as mais ativas e produtivas, sem precisar buscar companhia e atenção junto a pessoas que não as conhecem. Ser velho não dá a ninguém o direito de ser sem consideração pelos outros. A propósito, sou muito bem educada, chique mesmo. Pena que você não me conheça antes de me atacar.
      Boa sorte.

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