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Eventos especiais: Velórios

18/10/2010

Minha amiga Béia Carvalho, inconformada com as atitudes inadequadas que constatou em velórios que teve que ir, me pediu que escrevesse a respeito. Confesso que precisei parar para pensar em como muitas vezes não nos damos conta de que alguns ambientes exijem um respeito e uma formalidade extras. Incluo nisso os velórios, mas também eventos religiosos de qualquer natureza, eventos solenes e assim por diante.

Ficando nos velórios, esse é um momento realmente delicado. Momento de sofrimento das pessoas próximas, momento de reflexão para quem está bem de saúde, momento de solidariedade com quem perdeu alguém importante. Não é possível ser insensível a ponto de não perceber que um comportamento mais contrito é necessário e que boas maneiras são exigidas na ocasião.

Portanto, se você é mulher, esqueça definitivamente de produzir-se para ser a mais sexy da parada. Deixe para a balada, as compras, o cruzeiro, o restaurante. Nada de saltos gigantescos, decotes profundos, maquiagem pesada. Nem pense em adotar a linha contrária, ou seja, shorts, camiseta e havaianas. Havaianas são ótimas, até para a balada e você pode trocar de namorado se ele não quiser sair com você de havaianas, mas no caso de um velório, ele tem razão. Tênis também não funcionam, aliás tênis, a menos dos de passeio que você pode usar nas compras, é para a aula de ginástica ou a caminhada no parque.

Se você é homem, esqueça a bermuda, a camiseta regata, os chinelos e os tênis, a menos que eles sejam de passeio. Calça e camiseta ficam bem, desde que a camiseta seja mais alinhada, tipo polo e não tenha nenhum manifesto de banda de rock ou daqueles tipo “vagabundo na Bahia” ou “conservado em tequila”.

Entretanto, mais importante do que tudo é o comportamento. Se você for ao velório apenas para cumprir com uma obrigacão social, mesmo assim, tem que respeitar a dor das outras pessoas. Se encontrar um velho amigo, nada de manifestações grandiosas, saudações escandalosas. Seja mais comedido, fale baixo e, se realmente ficar muito feliz em encontrar aquele velho amigo da escola, saia de lado, vá para um canto longe para curtir sua felicidade sem jogá-la na cara dos que estão infelizes.

Não fique contando em voz alta para suas amigas a “loucura” que foi a balada da noite anterior nem fique rindo de situações que aconteceram em outro ambiente. Você não precisa ficar muito tempo no velório, cumprimente a todos os que devem ser cumprimentados (no geral a família, mais especialmente aqueles que você conhece), disfarce e convide suas amigas ou amigos para tomar um café na padaria da esquina.

Tenho certeza de que, apesar de as pessoas ficarem meio transtornadas num momento de dor, alguém vai notar se seu comportamento for inadequado e sua imagem vai sofrer um arranhão significativo. Você é melhor que isso, não é?

 

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4 Comentários leave one →
  1. 19/10/2010 17:22

    Maria do Carmo

    Que bom contar com a sua verve para expressar meu desconforto! Obrigada! Pra acrescentar à sua lista, não poderíamos deixar de fora o celular! Se alguém tem mesmo que falar ao celular no momento em que o caixão está baixando (isso aconteceu, de verdade) talvez não devesse estar ali. É imperdoável que no momento mais difícil e solene desta cerimônia, alguém chame a atenção para si para atender um celular! Nem mesmo estando no silencioso, pois a distração acontece do mesmo modo. Portanto, o melhor é seguir o conselho da Maria do Carmo. Vá ao velório, entre, cumprimente os parentes e pronto! Volte a seus afazeres. Assim, você cumpre suas obrigações e escapa de dar vexames!

    • Maria do Carmo Marini permalink*
      20/10/2010 21:53

      Querida Béia,

      Você me inspirou e ainda acrescentou um detalhe importante no qual não pensei antes. Obrigada. Espero contar com você sempre por aqui e por aí. Beijos

  2. Marina permalink
    20/10/2010 10:04

    Prezada,
    Como sempre sensacional seu texto. Direto no ponto. Infelizmente já passei por isso. Há alguns anos fui a um enterro de uma família que faleceu em uma grande tragédia automobilística. Faleceram três jovens de uma mesma família, além da mãe de dois deles. Cemitério lotado de jovens da alta sociedade de Brasília na terceira semana de janeiro. Lindos corpos malhados e bronzeados, com roupas esfuziantes, camisas amarelo-ovo (para ressaltar o bronze, certamente), vestidos rosa-CHOQUE (de verdade), sandalhões coloridos e brilhantes. E muita conversa descontráida, muitas risadas, muita fofoca das divertidas últimas férias. E a família de verdade se acabando de tanto sofrer. E eu, que os conhecia mas não era amiga íntima, também estava destruída. E abismada, aterrorizada com a atitude dessas pessoas. Uma amiga minha, que era a melhor amiga de uma jovem, chegou em um grupo de rapazes lindos, ricos e famosos, todos morrendo de rir de suas bebederias de reveillóm, perguntando: “e aí, gente sumidaaaa, saudade de vcs, me conta me conta como foram de festassss?” Jamais me esquecerei disto. Um tempo depois contei a ela do meu espanto pela situação bizarra, inclusive o comportamento estranho dela, e a resposta: “Você queria o que? Que ficássemos nos debulhando em lágrimas? Nada a ver” E eu: “mas um sinal de respeito, um comportamenteo ainda que forçado mas adequado à situação, era bom.” Ela: “”Nossa, mas que controle sobre a vida dos outros”
    É isso. C’est la vie dos fúteis, dos que vivem sempre na superfície….

    • Maria do Carmo Marini permalink*
      20/10/2010 22:02

      Olhe Marina, não consigo acreditar nas coisas que vemos todos os dias, o desrespeito que parece ter se tornado a marca das pessoas e essa estranheza com quem é mais educado.

      Hoje recebi um vídeo do Rolando Boldrin lendo um texto do Ruy Barbosa que inicia com “Sinto Vergonha de mim…”. Acredito que você deve encontrá-lo no Google e recomendo que o faça pois é completamente atual e adequado ao momento que vivemos.

      De qualquer maneira, se reagirmos cada vez que pudermos, quem sabe transformamos uma ou outra pessoa?

      Vale tentar… Abraços

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