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Uma reflexão sobre “depressão profissional”, será que tem como escapar? Parte II

05/07/2011

Bem, você finalmente se livrou (ou “foi livrado”) da empresa que estava transformando sua vida num inferno total. Agora, é a hora de buscar alternativas e tudo o que você não quer é repetir os últimos tempos de sua vida profissional. Decididamente, você vai buscar uma posição na qual ganhe bem, trabalhe em horas decentes e se sinta estimulado e motivado. Seu currículo está estruturado, você fez um bom exercício de resgate de suas aptidões e qualificações, determinou algumas empresas que podem interessar, definiu que tipo de posição lhe serve, está pronto.

Com tudo isso, certamente você estará empregado rapidamente, especialmente porque ouve todo dia falar de apagão de mão de obra, vagas sobrando nessa ou naquela área, enfim, muitas notícias otimistas sobre o mercado de trabalho. Sinceramente, desejo que tudo ocorra dessa maneira e você comece imediatamente a trabalhar no emprego dos seus sonhos. Infelizmente, porém, não tem sido tão fácil para a maioria dos mortais. E é aí que as coisas começam a complicar.

Digamos que você já tenha passado dos 40 anos, ou até dos 50, que tenha deixado um cargo relativamente elevado na empresa anterior, com um alto salário. Vai descobrir que as posições compatíveis com suas qualificações, com sua história profissional não são tantas quanto você pensava. Recolocar-se começa a demorar um pouco, o dinheiro da reserva vai diminuindo e você vai ficando nervoso e apreensivo. Procura seus amigos e ex-colegas para almoçar ou jantar e conversar um pouco, saber de oportunidades, pedir uma apresentação para o head hunter que teoricamente está buscando pessoal para o setor que lhe interessa.

Descobre que seus amigos não têm tanto tempo disponível para encontrar você, mesmo sendo as pessoas mais gentis e atenciosas do mundo. Afinal, eles têm um empresa para administrar… Descobre também que aquele head hunter seu conhecido que puxava seu saco, pedia favores e convidava você para almoçar nem atende mais seus telefonemas. Você tem notícia também sobre um conhecido incompetente que conseguiu uma posição muito boa numa das empresas que lhe interessavam. Então começam as dúvidas: será que superestimei minhas qualificações? Será que realmente consegui os resultados que assumi ou eles foram frutos do trabalho de outros? Por que o mercado não me quer?

Então, meio desesperado, você se oferece para trabalhar como consultor. Qualquer coisa serve, um projetinho qualquer e dali a pouco você nem sabe mais quem é. E a depressão se instala de mansinho, sua auto-estima vai para o fundo do poço e você entra num círculo mau e destrutivo.

A boa notícia é que tem jeito de não entrar nessa ou de, pelo menos, não deixar o processo ser tão grave. A primeira coisa a fazer é ser realista. Avalie o que você tem a oferecer ao mercado e não insista em se apresentar para posições claramente incompatíveis com seu perfil, sua idade, sua formação. Tenho certeza que você pode aprender rapidamente coisas novas, que seu pique é o de um menino de 25 anos, mas o mercado não corre riscos, busca perfis definidos. Nós sabemos que está perdendo, mas… Acompanhe as discussões sobre trabalho em jornais e revistas, tente saber o que os head hunters andam falando sobre empregos potenciais. Mesmo que ele não falem com você, falam com seus amigos e ex-colegas.

Aproveite o tempo curto que seus amigos podem dedicar a você para se informar tudo o que puder sobre o mercado. Tenha claro quais qualificações você poderá usar para oferecer um projeto de consultoria e, se optar por esse caminho, tenha alguma coisa bem estruturada. Ninguém contrata alguém para “fazer qualquer coisa que você precise”. Pense em que qualificações você poderá usar para trabalhar em outros setores que não aquele do qual você saiu. Muitas vezes sua experiência num setor pode perfeitamente ser aproveitada em diversos outros, sem que você se sinta humilhado por aceitar uma posição inferior a que tinha.

Enfim, não tem como esgotar o assunto aqui e vou continuar falando nisso em outros momentos, ouvindo opiniões de outras pessoas e, quem sabe, conselhos mais efetivos de como evitar o fenômeno. Espero, no entanto, que você consiga passar ao largo da depressão, pois além de fazê-lo sofrer muito, ela pode ser fatal para seu futuro.

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