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Passar de “peão” a chefe traz suas dores

25/07/2011

Bem, depois de muito trabalho e esforço, você foi promovido a chefe da equipe da qual fez parte até ontem. Você entra no seu espaço diferenciado dos demais, sente-se orgulhoso, recompensado pela dedicação e empenho com que se destacou dos outros. Cadeira confortável? Mesa maior? Uma sala fechada? Maravilha! E agora? Como vai ser com seus camaradas, seus companheiros de almoço, de piadas sobre o chefe, de reclamações e fofocas? Pensa que é fácil? Não é mesmo.

A primeira coisa que você deve ter notado é que agora você tem um papel diferente dentro da organizacão. Você foi escolhido para liderar essa equipe, para obter o melhor de seus subordinados, agora você é o responsável por trazer os resultados. Bem, sua carreira de executivo iniciou e ela é diferente de sua carreira de subordinado. Você foi excolhido porque seu chefe reconheceu em você capacidade de mobilizar pessoas e motivá-las a produzir aquilo que a empresa precisa para atingir suas metas.

Não pense que, porque chegou a essa posição tudo está resolvido. Lembre-se que nos primeiros momentos você é um cara sob observação e os olhos de todos estão sobre você. Há um período de iniciação em que você terá de ser aceito pelos seus próprios pares, além da própria equipe. Não precisa ficar assustado com isso, todos os outros executivos passaram por esse período e, se você não tivesse mostrado capacidade, certamente não teria sido promovido.

Apenas aceite que esse período existe e não tente dar a impressão de que sabe tudo a respeito de liderar essa equipe somente porque fez parte dela. Não se acanhe em fazer perguntas, em buscar respostas claras sobre o que sua chefia espera de você, peça opiniões e sugestões aos subordinados. Afinal, gerir uma equipe exige que, além de conhecimento técnico você precisa ser capaz de controlar as tensões do grupo e manter o time focado em missão, valores, metas, indicadores de desempenho, agenda…

Você terá que ser capaz de antecipar problemas, identificar opções, desenvolver estratégias, estabelecer metas e planos de ação. Vai ter que organizar a distribuição de tarefas, facilitar a ação das pessoas, fazer correções de rota quando necessário.

Você terá que limitar as fofocas, mesmo que seus subordinados sejam seus super-amigos. E, se alguma chegar a você, lembre-se de, antes de tomar decisões, achar um jeito de separar o que é fato do que é fruto de opiniões ou sentimentos. Aprenda a ouvir os diversos lados envolvidos, de forma delicada para não ofender ninguém e para que seus velhos amigos não pensem que o cargo lhe subiu à cabeça.

Lembre-se que, para você se sair bem, é necessário criar alianças e parcerias com chefes, pares e com sua equipe. Você não precisa saber tudo de tudo, saiba o essencial e saiba quem tem as respostas para as diversas questões do seu dia-a-dia. Busque ajuda de outros gerentes se precisar, mesmo de seu chefe, pois ele está tão interessado quanto você no seu triunfo.

Não pense que é necesário mudar sua personalidade, tratar friamente seus amigos só porque virou chefe deles. Existem muitas maneiras delicadas de sair fora de uma fofoca ou de uma conversa boba. Aos poucos as pessoas percebem que seu papel mudou e comecam a tratá-lo como chefe, sem com isso deixarem de ser seus amigos. E daqui a pouco você vira Diretor….

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5 Comentários leave one →
  1. Moema permalink
    01/08/2011 19:36

    Prezada Maria do Carmo,
    Novamente, excelente artigo!
    Eu tomo a liberdade de fazer alguns comentários quanto às “agruras” da nova rotina da tão buscada chefia: a pessoa deve saber que se antes ela fofocava sobre seu chefe, agora seus até então colegas fofocarão e se ressentirão com ela mesma. Que talvez ela se sinta um pouco (ou muito) só em alguns momentos, pois fatalmente (e necessariamente) não haverá mais toda aquela informalidade na relação com os membros da equipe.
    Que alguns de seus colegas sentirão muita inveja, sobretudo aqueles que não correm atrás de fato de se aprimorar, de trabalhar cada vez mais e melhor, como ela, que foi alçada à nova condição. Que o ressentimento e a falsidade serão grandes, mesmo de pessoas boas, que ficarão altamente inseguras em terem como chefe aquele/a colega com quem até então comentava sobre suas horas e horas de pura enrolação no trabalho, utilizando facebook, msn, orkut e afins. Esse é o tipo de pessoa, a meu ver, que mais se sente traída quando seu vizinho de mesa e testemunha ou cúmplice de sua “enrolation” é promovido.
    Que algumas outras pessoas se utilizarão do coleguismo antigo dela para se fazerem de vítimas e solicitarem tratamento diferenciado. Outras a acusarão de tratarem de forma diferenciada aqueles amigos mais íntimos dos “velhos tempos”.
    Que se ela (essa pessoa) for mulher, muitas pessoas a acusarão de ter “caso com alguém da chefia para chegar onde está”. Sobretudo as próprias mulheres fofocarão este tipo de baixaria, imaginando detalhes sórdidos….
    Que outras pessoas, por outro lado, dirão que ela é uma “mal amada”, “sempre foi”, comentarão cruelmente sobre cada cm³ de sua aparência, procurando a todo o custo denegrir a imagem dela como profissional.
    Enfim, além dessas mesquinhas agruras do cotidiano, ainda temos, nós, mulheres, que lidar com o machismo e ressentimento de alguns integrantes de nossa própria chefia, aquela mesma que nos promoveu, ou deliberou de alguma forma por tal promoção! E ainda nos dar conta de que NÃO ganhamos o mesmo que o gerente (homem) do lado, e que sim, somos mais exigidas e testadas do que os homens.
    Eu já passei por tudo isso. E de alguma forma continuo me incomodando com o machismo tão exacerbado das nossas corporações brasileiras. Muito se fala em mudança, mas na prática o machismo é fortíssimo, nós sabemos. Apenas não é tão explícito, não é anunciado com plaquinhas na mesa…..
    A forma como lido com isso? Trabalhando, porque faço o que gosto. E sendo profissional. Dançando conforme a melodia, mas sobretudo de forma profissional. Assim a gente consegue dormir mais em paz e sorrir, como você disse em seu outro artigo, com muito mais vontade!!
    Um grande abraço, Marini, e sempre obrigada pelos seus tão lúcidos, estudados e certeiros artigos!!
    Moema

    • Maria do Carmo Marini permalink*
      01/08/2011 19:43

      Também passei por tudo isso, Moema, especialmente pela atitude “predatória” de algumas mulheres com quem trabalhei. Ainda temos que evoluir muito como seres humanos para ficar felizes com o sucesso alheio e ir buscar o nosso sem desmerecer o dos outros. Obrigada por seu comentário, vou publicá-lo no Facebook porque acho importante outras pessoas ouvirem o que você tem a dizer. Abraços

      • Moema permalink
        02/08/2011 9:32

        Por favor fique à vontade para sempre publicar meus comentários aos seus artigos em outros canais que você utilize, quando achar válido. É um prazer e uma honra!
        Abraço,
        Moema

      • Maria do Carmo Marini permalink*
        02/08/2011 18:45

        Obrigada, Moema, tenho publicado em razão da excelente qualidade de seus comentários. Abraços

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