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Puxa-saquismo é necessário para crescer na carreira?

29/08/2011

Quem não detesta um puxa-saco? Aquele cara que vive babando ao redor das pessoas importantes, que não olha para os lados a não ser que descubra alguém que valha a pena agradar. Todo mundo, eu sei. Entretanto, descobri numa revista Época antiga, um trabalho de dois professores americanos, Ithai Stern e James Westphal que concluiram após uma pesquisa que muito poucas pessoas sobem na carreira apenas por competência. Uma boa dose de politicagem e bajulação é essencial, segundo eles, para conseguir uma promoção. Os professores Stern e Wesphal levam a pesquisa adiante, descobrindo os mais bajuladores de acordo com profissão e até mesmo faixa social. No entanto, a discussão que quero trazer aqui não precisa desses detalhes. O que eu gostaria de comentar é como ser um puxa-saco eficiente sem ser realmente um puxa-saco.

Parece que não faz sentido? Mas, faz, você vai ver. A fronteira entre puxa-saquismo e política de relacionamento dentro das empresas é uma linha muito tênue, fácil de ser ultrapassada. Você precisa agradar seus superiores para crescer? Faça isso com elegância, sem ser ofensivo com seus colegas e sem ser um chato de quem todo mundo quer fugir. Existe uma sutileza que envolve o puxa-saquismo que o faz mudar de categoria e transformar-se em “habilidade política”, “facilidade de relacionamento”, “capacidade de negociação” e outros conceitos admirados por todos.

Em primeiro lugar, não seja um bajulador somente dos superiores, elogie seus colegas e subordinados com a mesma facilidade com que elogia seu chefe. Quando for adular seu chefe, disfarce pedindo conselhos, sugerindo que a maior experiência e a capacidade dele podem ajudar você a descobrir saídas para situações difíceis. Você vai ver que não está muito longe da verdade, ele poderá realmente ajudar e você deixou claro o quanto o admira e confia.

Não concorde com tudo o que seu chefe diz sem nem mesmo ouvir direito o que ele tem a dizer. Mesmo que queira fazê-lo, faça um pouco de rodeio, diga que tem dúvidas, dê a ele a chance de “convencer” você. Essa pequena vitória fará bem para o ego dele e criará boa vontade em relação a você. Concordar com tudo sem pensar vai deixar claro que você está concordando apenas para agradá-lo e você não ganhará muitos pontos. Antes de elogiar uma performance qualquer do seu chefe, desculpe-se antes para não constrangê-lo, especialmente se o desempenho não foi tão bom. Busque detalhes nos quais ele se saiu bem e ressalte esses, fingindo que não viu os ruins.

Lembre-se, tudo o que vale para seu chefe e outros superiores, vale para seus pares e subordinados. Faça o mesmo com eles sempre que puder. Tenho certeza de que essa pequena providência fará com que você não seja classificado entre os puxa-sacos declarados.

Fazer elogios indiretos pode ser muito eficaz também, desde que você saiba que o elogiado vai saber que você o admira. É muito melhor do que ficar babando na gravata ao redor do cara. Quando concordar com a opinião dele, afirme isso em alto e bom som, nada de esconder. Ele vai gostar de ter seu apoio, especialmente se for numa situação complicada. E, se você puder saber a opinião previamente e pensar sobre o que você pensa a respeito antes, isso o ajudará a se manifestar adequadamente mesmo que você não concorde inteiramente.

Depois disso, você pode puxar o saco de quem quiser sem que os outros o definam como um profissional do puxa-saquismo, um chato de galocha. Tenho certeza de que você será admirado por sua capacidade política e de negociação.

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3 Comentários leave one →
  1. Moema permalink
    09/09/2011 15:27

    Sensacional, Mairini!
    Tomara que as pessoas percebam que lições como essas – e sobretudo bem ressaltadas quando você diz que o mesmo comportamento deve ser estendido aos colegas de trabalho – servem para tornar nosso ambiente mais leve e POSITIVO, também. Comentando alguns pontos: 1) quando a pessoa trocar ideias de forma aberta com o chefe ou com colegas, no final ela realmente vai se tocar de que a melhor coisa é compartilhar experiências e aprender com a história dos outros. E se o chefe tem aquela posição, mais certo que realmente tenha uma visão mais experiente, global, estratégica e etc;
    2) Buscar detalhes positivos mesmo em um momento ruim protagonizado por outro é um EXCELENTE exercício de solidariedade! Várias vezes, em debates pra lá de tensos, meus chefes vieram me perguntar depois o que achei de sua performance e fiz isso: ressaltei o que de melhor fizeram, sem no entanto deixar de falar francamente do “contexto geral”. E isso fez com que estabelecêssemos uma espécie de “laço” mesmo de solidariedade e franqueza.
    3) Por último, e POR QUE NÃO elogiarmos com alguma efusividade uma ótima ideia que ouvimos dos chefes ou de colegas ou subordinados? Por que não externarmos aquela surpresa positiva com alguma alternativa posta à mesa? Esse tipo de reação é natural, e incluisve torna o ambiente mais autêntico. Afinal, “existe vida” dentro de nós. E não apenas aquela empáfia dos posudos, a falsa humildade dos recalcados, ou a eterna “disponibilidade dos tenebrosos puxa-sacos!
    Abraços!,
    Moema

  2. arnoldino zango permalink
    14/03/2013 13:24

    o artigo é realmente interessante…gostei

    • Maria do Carmo Marini permalink*
      14/03/2013 17:50

      Que bom que você gostou… Abraços

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