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A Lenda de Noé e a responsabilidade de cada um na construção do futuro

12/11/2012

No último sábado, participei de uma aula genial com o Professor Jean Bartoli. Ele é uma pessoa muito interessante, genial eu diria, e faz qualquer um parar para refletir. O texto abaixo, que ele nos trouxe, me fez pensar em nossa responsabilidade individual e coletiva na construção do futuro. Resolvi compartilhar, porque acredito firmemente que existem muitas pessoas com o mesmo tipo de preocupação e, quem sabe, ler esse texto pode ajudar a achar caminhos de ação. Acredito que podemos encontrar vários Noés por aí ou, até mesmo, ser um deles.

“Noé estava cansado do papel de profeta da infelicidade e de sempre anunciar uma catástrofe que nunca vinha e que ninguém levava a sério. Um dia, vestiu um velho saco e espalhou pó sobre a cabeça. Este gesto só era permitido a quem pranteava um filho querido ou a esposa. Vestindo a roupa da verdade, ator da dor, voltou para a cidade, decidido a reverter em seu benefício a curiosidade, a malignidade e a superstição dos moradores. Em pouco tempo, juntou-se a seu redor uma pequena multidão curiosa e as perguntas começaram a surgir. Perguntaram se alguém tinha morrido e quem era. Noé respondeu que muitos tinham morrido e que esses mortos eram eles, o que provocou gargalhadas. Quando lhe perguntaram quando tinha acontecido tal catástrofe, ele respondeu: amanhã. Aproveitando então a atenção e a aflição dos ouvintes, Noé ergueu-se e, do alto de sua grandeza, começou a falar: depois de amanhã, o dilúvio será algo que já aconteceu. E quando o dilúvio tiver acontecido, tudo que é nunca terá existido. Quando o dilúvio tiver arrastado tudo o que existe, tudo que tiver existido, será muito tarde para lembrar, porque não haverá mais ninguém. Não haverá mais então nenhuma diferença entre os mortos e os que os choram. Se eu vim aqui diante de vocês, é para inverter o tempo, é para chorar hoje os mortos de amanhã. Depois de amanhã, será tarde demais. Dito isso, voltou para casa, trocou de roupa, tirou o pó que lhe cobria o rosto e foi para sua oficina. No decorrer da tarde, um carpinteiro bateu a sua porta e lhe disse: deixa-me te ajudar a construir a arca para que tudo aquilo se torne falso. Mais tarde, um telhador juntou-se aos dois, dizendo: chove nas montanhas, deixem-me ajudá-los para que tudo aquilo se torne falso.”

Esse texto é citado em DUPUY, Jean-Pierre, Petite métaphysique des tsunamis, Paris, Seuil, 2005 p.10. Dupuy tira essa citação do livro de SIMONELLI, Thierry, Günther Anders. De la désuetude de l´homme, Clichy, Éditions du Jasmin, 2004, pg. 84-85

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