E agora nós, mulheres, somos todas “meninas”…

Captura de Tela 2017-12-11 às 12.22.08Não sei se sou a única pessoa que está cada dia mais criando uma animosidade figadal ao termo “menina” quando usado para saudar todas as mulheres, independente da sua posição, idade ou da intimidade existente.

Então, as jornalistas que apresentam o jornal da Globo News (trintonas, pelo menos) são saudadas pelos seus colegas homens com um “Bom dia, meninas”. Da mesma forma, jornalistas mais velhas também recebem o mesmo tipo de cumprimento. Num grupo de avós, elas se chamam “meninas”, da mesma forma que em reuniões de todas as naturezas, com mulheres menos jovens, super qualificadas, intelectualmente brilhantes. E por aí vai.Captura de Tela 2017-12-11 às 12.38.58

Apesar de minha implicância, eu mesmo me peguei usando o termo algumas vezes sem pensar. Daí, comecei a me perguntar o porquê. Quem sabe eu poderia – e todos poderiam, claro – dizer o nome da pessoa ou usar “senhora”, “colega”, etc.

Cheguei à triste conclusão de que é uma forma elegante e pretensamente carinhosa de qualificar as mulheres abaixo de sua capacidade, uma maneira de inconscientemente fragilizá-las, um instrumento do machismo que está entranhado na maioria dos homens e muitas vezes até nas próprias mulheres. Ninguém parece se dar conta da carga de preconceito, da vontade de diminuir as mulheres, todos acham que é “bonitinho”, “fazem a gente se sentir mais jovem”, “bondoso”.

Captura de Tela 2017-12-11 às 12.40.58Só para esclarecer, uma menina não tem maturidade, não tem flexibilidade para reagir adequadamente às complexidades e dificuldades da vida. Meninas ainda não são capazes de se autoconhecer, de reconhecer suas qualidades e seus pontos frágeis, de assumir seu poder feminino. Meninas não têm ainda as cicatrizes que a vida proporciona, não sabem das dores que a maturidade traz e, principalmente, meninas dependem de alguém que as cuide, o que faz todo o machista sentir-se poderoso.

Caramba, será que eu sou muito chata? Vocês não conseguem enxergar o mesmo que eu? Veja bem, ser jovem eternamente é uma coisa bem diferente de ser menina até os 100 anos. Anos de estudo, experiência, vivência, autoridade são desprezados nesse termo “menina”. Mulheres e meninas são duas versões de um mesmo indivíduo, claro, mas uma mulher acrescentou milhares de outras competências, habilidades, práticas, talentos à menina que foi um dia.

Captura de Tela 2017-12-11 às 12.36.55Você pode ser menina em alguns momentos de suas relações de amor e afeto, claro, mas se for uma mulher, assuma seu papel e seu poder, especialmente em sua vida profissional.

Quem quer ser menina sempre e para sempre? Não se permita ser deixada para trás por uma fila de homens menos competentes só porque é uma mulher.