Vida Virtual e Self Digital, por Alessandra de Laurenza

captura-de-tela-2016-11-24-as-15-22-28A revolução digital trouxe na nossa sociedade um enorme impacto, mudando a maneira como percebemos a realidade e a forma como interagimos com ela. Essas mudanças influenciaram e modificaram o relacionamento entre empresas e consumidor causando mudanças em todos os setores da vida das pessoas e das empresas, trazendo consequências que vão desde novas formas de comunicar, com o surgimento da interativa web2.0 a partir de 2004, até a criação de espaços virtuais onde as barreiras que existiam antes transformaram de forma radical o relacionamento entre o consumidor e as marcas, entre as empresas e seus funcionários e a maneira com que as pessoas trabalham e produzem conteúdos. Um exemplo disso são as novas formas de colaboração peer to peer como Wikipedia, que une milhares de pessoas espalhadas pelo mundo trabalhando juntas para a criação de cultura compartilhada. Aqui no Brasil nessa nova onda da economia colaborativa um exemplo é a rede Dots, grupo no facebook criado por Kuki Bailly, que o define como “uma rede na veia da economia colaborativa, e colaboração só acontece onde existe confiança e confiança se constrói com relacionamento­­­­­” .

captura-de-tela-2016-11-24-as-15-20-44Pessoas e empresas têm a possibilidade de “existir” também virtualmente. Com a mudança de paradigma do marketing tradicional para o marketing digital e o surgimento de novos instrumentos de comunicação on-line como blogs, vlogs, aplicativos, redes sociais e tantos outros, tanto o consumidor quanto as empresas têm a possibilidade de usar estes instrumentos para criar a sua própria marca e construir a sua Persona Digital. Muita coisa mudou nos últimos 10 anos com o nascimento da web 2.0 e com o surgimento das mídias sociais, basta pensar que Facebook nasceu em 2004, Twitter 2006, Linkedin 2003 e, dentro dessa nova realidade, mudou também a relação entre a marca e seu público e a maneira como as pessoas estão se relacionando também está mudando. Empresas e pessoas se encontram em um mercado onde as barreiras de acesso a informação caíram, as mídias sociais e os aplicativos estão dominando as relações comerciais e pessoais, e o consumidor graças a estes instrumentos mudou o seu comcaptura-de-tela-2016-11-24-as-15-18-51portamento se tornando mais participante e exigente.

Transparência, participação e interação fazem parte dessa nova realidade entre marca e consumidor graças ao marketing digital que, através do uso de instrumentos digitais, realiza campanhas de marketing e de comunicação integradas, segmentadas e capazes de gerar resultados que podem ser medidos na mesma hora. Por exemplo, o número de likes de uma página no facebook, ou número de followers no Instagram, ajudando as organizações a individualizarem constantemente as necessidades do consumidor.

O mesmo vale para para o profissional que perdeu seu emprego e a única alternativa é empreender. Para essas pessoas a criação da própria imagem on-line é tão importante quanto a imagem off-line, e saber construir o próprio Self Digital de forma correta e eficiente, é o resultado de uma boa estratégia de Personal Branding on-line.

captura-de-tela-2016-11-24-as-15-24-43Por causa da rede as pessoas são mais influenciados nas decisões de compra e na escolha de produtos e serviços pelas redes sociais do que pelos tradicionais anúncios em revista ou publicidade na televisão. Dentro deste novo panorama, o marketing e os modelos de comunicação do velho paradigma se tornaram invasivos e pouco transparentes, o consumidor optou por fazer pesquisa e pedir conselhos diretos para seus amigos (peer) nas redes sociais. Depois de 2007 as empresas começaram a criar a própria imagem nas redes sociais, a criar comunidades próprias on-line em torno das marcas, a abrir páginas no Facebook, no Instagram a ter blogs, canal no Youtube se comunicando diretamente com o próprio público. As mídias sociais se tornaram nos últimos 5 anos influencers e a reputação de uma marca ou uma pessoa passa inevitavelmente pelas redes sociais, através de comentários positivos ou negativos em blogs e redes sociais.

Captura de Tela 2016-11-24 às 15.26.11.pngHoje é impossível fugir da rede e é imprescindível aprender a usá-la para criar a própria imagem e reputação. A internet ajudou os mercados a reconquistarem a sua natureza original de espaço de agregação, troca e discussão em relação aos produtos. Podemos dizer que a internet tem essa função de agregar parecida com a que o mar Mediterrâneo teve na antiguidade, a diferença hoje é que na rede o modelo econômico comercial é diferente. Chris Anderson autor do Livro “A cauda longa” e editor-chefe da revista americana Wired, descreve a lógica de mercado da rede que subverte as leis de mercado tradicionais onde vem oferecido um produto em resposta a uma demanda. Na lógica da cauda longa, a Internet possibilitou a criação de nichos de consumo, dando às empresas pequenas as mesmas oportunidades de visibilidade das grandes marcas. Na cauda longa da rede estes nichos têm um peso significativo comparado com o antigo modelo, onde havia uma grande atenção focada apenas na venda de produtos muito populares, proporcionando ao indivíduo maiores possibilidades de escolha, graças à distribuição digital da rede.captura-de-tela-2016-11-24-as-15-34-14

Youtube é um fenômeno de sucesso graças a uma infinidade de vídeos com poucos acessos e não a poucos vídeos com milhões de acesso.

Dentro desse novo panorama, as empresas e pessoas devem aprender a construir a própria presença online dominando os códigos da cultura digital, desde critérios para o uso correto das fotos para cada rede social, até como escrever a própria biografia de forma correta. Devem entender a importância de Google na nossa vida virtual e de como o uso de palavras chaves corretas é uma estratégia fundamental para ter uma presença relevante na rede, além de conhecer a Netiquette, etiqueta na rede e suas regras

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Alessandra de Laurenza é consultora de projetos digitais para Personal Brand, designer e autora do livro Eu.com.

 

 

 

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Sobre o vazio da dor e da criação, por Fernanda Tavares

Hoje o que me ocorre é um sentimento de profundo esgotamento. Esgotamento do planeta, esgotamento da economia, esgotamento das soluções já conhecidas. Nossa forma de enxergar o mundo e de nos relacionar com ele está esgotada e, no entanto, insistimos em fazer valer as mesmas soluções e propostas de sempre. Tudo isso pra fugir da angústia, a angústia do não saber, de onde brota nossa capacidade de criação.

Love (Two red hearts)Estou cansada da repetição, anseio pelo novo, não pelo gosto da novidade per se, mas por sentir que a repetição começa a significar a morte. Por outro lado, como dar a luz ao novo sem que o que o precede morra de alguma forma? Será que no fundo desse esgotamento está uma semente prestes a brotar?

No espaço de um mês vivi a morte do meu pai e acompanhei o nascimento de uma criança em uma família próxima. Natural nessas circunstâncias pensar sobre o significado da vida e da morte. Me parece que elas estão tão intimamente ligadas que não consigo separá-las. Assim, meu desejo profundo de evitar a morte do meu pai parece ser antagônico à possibilidade de perpetuação da sua vida… Pra mantê-lo aqui comigo eu precisaria ser capaz de, em alguma medida, congelar o tempo. O tempo que não pára e a quem peço que transforme as velhas formas do viver. Se a morte é o que de alguma forma viabiliza o nascimento, seja porque algumas almas precisam deixar este mundo para que outras retornem ou porque é preciso morrer para este mundo para renascer em outro, evitá-la seria uma forma de estagnação e, portanto, de esgotamento. A vida eterna nesse mundo, a exemplo do que se passa com os vampiros, não passa, portanto, de um aprisionamento. Não posso desejar isso a alguém a quem amo.

Por outro lado, é muito difícil reconhecer e aceitar que neste momento, de forma metafórica, estou desejando a morte. A morte de tudo o que é conhecido, dos velhos hábitos, das velhas saídas, das velhas crenças, atualmente limitantes. Vejo tantas coisas que já não servem mais! Mas assim como não tenho certeza do que acontece depois da morte física, não tenho certeza do que substituirá o que já não mais serve. Não tenho novas respostas pra colocar no lugar das antigas. Isso me faz entender o apego ao já conhecido e o medo em saltar no abismo. Até porque há muitos saltos que não se pode fazer acompanhada e isso, muitas vezes, eleva nosso receio à enésima potência. Além de não saber o que vou encontrar, estarei sozinha… Ainda assim, ficar onde estou não me parece mais uma opção tolerável. Não me resta outra alternativa, então, a não ser dar boas-vindas ao risco.

Tenho ouvido histórias de conhecidos do meu pai que dão a entender que ele sabia que ia morrer, teve algum tipo de pressentimento ou intuição. Não duvido que de fato ele soubesse, acho que bem no fundo todos nós sabemos quando alguma coisa está chegando ao final. Cheguei a sentir um pouco de raiva do meu pai ao pensar nessa possibilidade, a de que ele sabia e não tomou alguma ação pra evitar o desfecho (imaginando que isso fosse possível). Por outro lado, por mais que a gente tente se agarrar ao que se tem, isso só traz mais angústia e sofrimento porque há momentos em que precisamos aceitar que não há o que possa fazer pra evitar o fim, ele parece já ser uma realidade antes mesmo de o ser. Nesse caso, reconhecer sua proximidade e não lutar contra ele seria realmente uma forma de sabedoria e não de capitulação.

A verdade é que o sentimento é paradoxal e pensando nisso, negar o fim pode não ser uma forma de doença, mas um sinal de saúde, desde que não dure indefinidamente, é claro. Evitar a angústia, a tristeza, a dor, o sentimento de vazio é ser humano. O vazio, em especial, que pra mim tem como uma de suas representações um silêncio que antes não estava lá, tem uma dimensão avassaladora, não representa apenas o espaço pra criação. Não sei por quanto tempo dou conta dele, do vazio, mas tenho que encará-lo. Essencialmente porque tenho a esperança de que ele não durará para sempre, em algum momento posso resgatar minha identidade de criadora, mantendo humildemente minha consciência de criatura.

Agora, já, só me sei criatura, com pequenos lampejos de criadora. Enquanto isso, pra me inspirar, ouço Moska…

Tudo Novo de Novo (Moska)

Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Fernanda Tavares Silva atua profissionalmente na área de Recursos Humanos, com foco em Desenvolvimento de Pessoas e está finalizando pós-graduação em Consultoria de Carreira.