Atire a primeira pedra…

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Atualmente, a perplexidade tem dominado meus pensamentos mas, mais do que tudo, o momento tem iluminado verdades conhecidas, mas ignoradas durante muito tempo. Somente nos últimos dias me dei conta de como posso – e outros também podem – ser hipócrita sem perceber e sem trazer sentimentos de arrependimento ou constrangimento. Sou naturalmente gentil, o que me leva muitas vezes a usar de uma certa falsidade para manter essa característica.

Hipocrisia ou gentileza? Onde está o limite entre ser gentil e ser hipócrita? Sou só eu, ou vocês também têm que lidar com esse questionamento.

Você nunca teve aquele momento em que chamou de linda uma amiga, apenas para que ela se sentisse melhor, mesmo sabendo que ela é feinha? Você não “mente” quando come alguma coisa que detesta, apenas porque alguém cozinhou para você?

Essas situações são frequentes no dia-a-dia e mostram nosso lado menos honesto ou autêntico… Ou apenas bem educado e gentil?

Já passei por muitos momentos desse tipo. Nunca esqueço de uma festa de aniversário de uma menina que era colega do meu filho na escola (eles tinham uns 5 anos), e a única comida servida era sarapatel. Foi uma das coisas mais horríveis que eu já comi, mas quando a dona da festa me perguntou sorridente se eu tinha gostado, eu disse sim, apenas para não ser desagradável com ela. Tenho dezenas de exemplos semelhantes a esse e você possivelmente também tem.

Circunstâncias como as descritas acima têm se repetido constantemente, especialmente nesse tempo de isolamento social. Nossas relações estão passando por modificações sobre as quais não temos controle, então a “hipocrisia do bem” se torna uma alternativa para não apenas fazer uma ou outra cortesia, mas também para esconder algumas verdades sobre nós mesmos.

Num tempo em que nossos referenciais éticos e morais estão sendo questionados, em que a liberdade de uns pode ofender outros sem consequências, em que nossas crenças vêm sendo derrubadas pelo politicamente correto, como não agir com menos autenticidade? Muitas vezes, sentimos até vergonha de não concordar com a maioria, temos medo de parecer retrógrados, preconceituosos. É mais que hipocrisia do bem, é hipocrisia de aceitação, a obrigatoriedade de pensar igual à ideia predominante para fazer parte da tribo que admiramos. Esse tipo de comportamento tem feito muitas vítimas.

A “hipocrisia do bem ou da aceitação”, muitas vezes vem nos ajudar nas trocas, no amor, na amizade, nas relações sociais e de trabalho. É possível que realmente acreditemos nisso ou essa é apenas uma desculpa para atitudes menos nobres de nossa parte?

No meu caso, o que me leva a agir assim? O que me faz ser hipócrita, com a pretensão de ser gentil? Será um sentimento de superioridade, que me faz acreditar que minha opinião pode ser importante para outras pessoas? Agradar aos outros me faz sentir melhor? Sem dúvida ambos conceitos podem ser verdadeiros e isso não me faz uma pessoa melhor, mas me faz uma pessoa pior. Não quero ser essa pessoa pior e, mesmo que eu ache uma explicação lógica – e até generosa – para minhas atitudes, sempre ficarei em dúvida.

Minhas verdades podem ser disfarçadas, sem com isso me transformar em mentirosa e falsa, má, desonesta ou desleal. Ou não? É meramente uma forma de me enfeitar para as pessoas que amo e admiro? Ou de fingir que sou melhor? quem sabe devo apenas ficar quieta?

Gentileza é fundamental em uma civilização, onde vivemos juntos, em comunidades ampliadas pela tecnologia e pelos muitos meios de comunicação pessoal. É duro quando devemos escolher entre sermos gentis de verdade ou sermos hipócritas mesmo.

Atire a primeira pedra quem nunca…

Fotos: unsplash e google

Você vive hoje a vida que gostaria de viver por toda a eternidade?

Captura de Tela 2017-07-26 às 10.01.18A pergunta que dá título a esta coluna foi posta por Nietzsche.

Para responder é necessário um mergulho para dentro do seu eu e, quando isso acontece, surgem novas inquietações, proposições, dicotomia, desconforto? Tudo isso junto e misturado, não é?!

Autoconhecimento vem através de reflexões sobre você de maneira honesta. Não existe ferramenta mais profunda de empoderamento que o autoconhecimento.

Captura de Tela 2017-07-26 às 09.59.36É assumir um compromisso com a sua verdade em todos os sentidos e principalmente ser sua essência, deixar de lado as máscaras que veste e que às vezes não se dá conta.

Pergunte a si mesmo: se eu morresse hoje, morreria feliz?

Você está sendo a sua essência ou o que sua família ou padrões que sociedade “esperam” de você? Por que você acorda todos os dias? No que você acredita fortemente? Que atividades tem significado especial para você? Qual a sua visão da sua própria vida?

Essas perguntas te ajudarão na sua compreensão e são uma forma rápida de obter informações poderosas sobre a sua verdade.

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Christiane Takahashi