Mulheres na política italiana

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Captura de Tela 2015-12-02 às 11.10.33Enquanto estive na Itália, durante outubro e novembro, assisti regularmente aos programas de entrevistas da TV Italiana. Diferentemente da TV Brasileira que tem um maior número de programas envolvendo artistas, cantores, celebridades e variedades, a TV Italiana tem diversos desses programas voltados para a política do País. Diariamente, esses programas trazem representantes do Executivo e, principalmente dos partidos políticos para comentar assuntos de interesse do povo italiano. O que me surpreendeu – positivamente, claro -, foi ver o grande número de mulheres nesses momentos.

As mulheres estão em todos os partidos praticamente, sejam de esquerda, sejam de direita. Aliás, um dos partidos da direita é liderado por uma mulher. O atual primeiro ministro – o Presidente do Consiglio dei Ministri , Matteo Renzi – dividiu o Ministério de 16 Ministros, metade para homens e a outra metade para mulheres.

Lá, o sistema de cotas existe desde 1993 e, aparentemente tem sido positivo. Claro que a Itália é um país com apenas 2 milhões de analfabetos em 6o,5 milhões de habitantes. Acresça-se a isso o fato de o ensino ser obrigatório até metade do segundo grau, tem-se pessoas com alguma qualificação na maior parte do tempo.

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Laura Boldrini, Presidente da Câmara dos Deputados da Itália

29% dos cargos executivos  ocupados por mulheres, que também estão em 33% das cadeiras do Parlamento e a Presidência da Câmara dos Deputados é exercida por uma mulher.

Entretanto,quando se assiste aos programas políticos na TV, esse número parece muito maior. Confesso que fiquei intrigada. Seria esse comportamento uma estratégia consciente das mulheres italianas no sentido de ir preenchendo os espaços e com isso ir assumindo o comando? Ou apenas, elas estão mais disponíveis por terem menos obrigações? A resposta a essa pergunta ficou para minha próxima viagem ao país.

Não sei a resposta ainda porque não tive oportunidade de conversar seriamente com nenhum liderança feminina que me respondesse, mas vou descobrir. De qualquer maneira, a idéia de estabelecer um projeto estratégico de preenchimento de espaços pode ser utilizada por qualquer grupo  e pode ser uma boa! A confirmar…

Apologia do atraso como apelo eleitoral

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Tenho observado um pouco as campanhas eleitorais. Afinal, para alguém que, como eu tem estudado as mulheres e suas carreiras, as angústias que elas enfrentam diariamente para integrar suas vidas pessoais e profissionais e as dificuldades em provar sua excelência técnica e gerencial, o fato de termos duas mulheres com chances reais de ganhar a corrida é aparentemente muito positivo. Sou de uma geração que foi quase linha de frente na busca de igualdade sexual de direitos, liberdades de escolha e respeito profissional do mesmo nível que os homens usufruem desde séculos.

Captura de Tela 2014-08-27 às 15.36.47Independente de questões ideológicas, tenho tentado ver as candidatas e suas aparições na mídia com o olho de quem observa como isso pode ser um fator importante na facilitação da batalha diária de milhões de mulheres brasileira,s que buscam seu lugar devido no mercado de trabalho do País.

Confesso que fiquei chocada, triste até, com duas cenas envolvendo nossas duas principais candidatas. A primeira delas, antes do início da propaganda eleitoral gratuita, foi uma foto da candidata Marina Silva, fazendo a bainha de um vestido. Era acompanhada de uma piada, claro, mas a foto estava lá para quem quisesse ver. A segunda foi na propaganda eleitoral da Presidente Dilma, onde um marketeiro machista e atrasado fez com que ela, constrangida, cozinhasse um macarrão.

Daí me pergunto, por que as mulheres precisam mostrar, além das competências imensas exigidas para seus cargos, que são ainda boas donas de casa? Por que isso ainda é necessário? Para mostrar que são humanas? Alguém teria dúvida sobre qualificações humanas de duas pessoas que estão concorrendo à Presidência da República, independente de sua trajetória, acertos e erros, concorrendo em nome de grandes partidos e parcelas significativas da população? Precisam saber cozinhar e costurar? Para mostrar que são boas donas de casa ou pessoas simples, do povo?

Para comandar o País, eu prefiro alguém de postura reconhecida como forte, capaz de lidar com os grandes encontros internacionais, levar o País com dignidade ao seu lugar entre as potências desenvolvidas. Por mais que admire quem escolhe ser uma boa dona de casa ou alguém simples, não acredito que essas características sejam relevantes para a imensa tarefa representada pela Presidência da República.

Captura de Tela 2014-08-27 às 15.40.48Prefiro ter no comando da Nação alguém, de salto alto se for o caso, mas com coragem, força, conhecimento para enfrentar os imensos problemas que um país continental como o Brasil tem pela frente. Eu prefiro uma pessoa que seja capaz de priorizar a solução das grandes mazelas que enfrentamos na educação, saúde, economia. Eu prefiro que ambas me mostrem que são qualificadas nesses temas e em outros que são realmente relevantes para todos os cidadãos brasileiros.

As duas senhoras que se apresentam ao mais alto cargo do País, independente de suas crenças políticas, têm qualificações suficientes para estar nessa corrida, tenho certeza. Alguns poderão concordar com o pensamento de uma ou de outra, outras poderão não concordar com nenhuma, mas ambas foram ministras, gerenciaram grandes orçamentos, lidaram com milhões de pessoas.

Então, senhores marketeiros, façam um favor às mulheres desse País. Parem de reforçar esses estereótipos de Amélias. Não precisamos disso. Precisamos que todos percebam e acreditem que mulheres podem ser tão competentes quanto os homens para administrar qualquer coisa e não precisam necessariamente ser boas costureiras ou cozinheiras para serem humanas, podem comprar comida e roupa prontas, terem quem as ajude a cuidar das crianças e da casa. Isso não as faz menos mulheres e não as torna mais fracas.

Ser CEO de uma grande empresa sendo bonita e grávida é possível…

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Uma notícia ótima para as mulheres executivas nos jornais de hoje… A nova CEO do Yahoo, Marissa Mayer, foi contratada para a posição apesar de já estar grávida de seis meses. Além disso, ela é uma mulher muito bonita. O fato quebra alguns preconceitos, o primeiro de que as mulheres que atingem posições de destaque no mercado de trabalho precisam renunciar à maternidade e, inclusive, a ter um companheiro. O segundo é que mulheres bonitas não são tão competentes ou dedicadas quanto as menos bonitas.Imagem

Pena é que isso ainda seja uma excecão. Seria bom vermos que a vida pessoal e a profissional das mulheres pudessem ser compatibilizadas sem influenciar na trajetória de sucesso que elas possam buscar.

Outras lições podem ser aprendidas desse caso. Marissa fez uma brilhante carreira no Google e é hoje uma das mulheres mais influentes no mundo da tecnologia. Foi contratada para achar saída para o Yahoo, uma companhia que perdeu espaço significativo no mercado e precisa buscar novos caminhos para voltar ao topo. Ela só foi escolhida para o cargo porque os contratantes viram nela a capacidade de gerir uma crise imensa e achar as saídas. Obviamente ela tem um boa formação, é graduada por Stanford e trabalhou durante 13 anos para o Google, portanto conhecimento técnico, habilidade de negociacão, flexibilidade, criatividade, ambição, visão, entre outras qualificações, são absolutamente necessários ao sucesso de uma carreira. Mas, sua contratação é importante para mostrar às mulheres que é possível ter uma carreira brilhante sem abrir mão de uma vida pessoal plena e realizada.