Como ficamos?

Meses de isolamento, máscaras e poucas interações com muitas pessoas que nos trazem normalmente muito prazer, têm produzido mudanças em todos nós. Apesar de estarmos aprendendo muito sobre relacionamentos através dos telefones e computadores e sobre trabalho à distância, a despeito de estarmos discutindo o mundo fascinante que emergirá desse ano abominável, os sinais que herdaremos física e emocionalmente são visíveis.

Hoje fiz uma selfie, usando conselhos de minha irmã, que sabe muito mais do que eu, e me deu algumas aulas. Confirmei algo que já tinha notado quando dei uma entrevista há alguns dias atrás: envelheci vários anos em 2020. Meu olhar voltou a ser triste, mesmo que eu esteja feliz, curtindo o simples dia-a-dia com meu marido e observando Roma pela janela. Com todos os bons momentos que tenho vivido, as notícias dos jornais me trazem insegurança e medo do futuro. A ignorância e a disputa política em torno do vírus, me faz cada dia ficar mais triste e preocupada.

Vacinas estão sendo anunciadas para o início de 2021. Pessoas corajosas e benevolentes estão aceitando ser cobaias, mas nenhum laboratório quer ser responsabilizado por aquilo que não der certo. Claro que, mesmo que as vacinas sejam ainda duvidosas, as pessoas irão buscar. Ninguém aguenta mais essa situação. Muitos decidiram enfrentar o vírus sem pensar que podem infectar outros menos resistentes. Eu não condeno ninguém pois sou capaz de entender o desespero das pessoas.

A Europa está de joelhos, tentando achar uma maneira de diminuir esse segundo momento do vírus. Lockdowns, estado de emergência, cores para as regiões determinando as medidas que devem ser adotadas, cidades fechadas, apelos para as pessoas ficarem o maior tempo possível em casa, nada disso tem resolvido. Não tenho notícias da Ásia e da África, nem imagino o que possa estar acontecendo.

Estou pedindo ao verão que proteja o Brasil, pois nem sou capaz de conjecturar sobre um repique da doença na força que parece ser sua característica. Sem dúvida, poderá destruir o que resta de meu amado país. Hoje fiquei sabendo que aí o vírus está aumentando nas classes A e B, graças a festas e encontros. Essas pessoas tem acesso a bons serviços de saúde, mas representam o potencial de infectar pessoas de classes mais frágeis em relação à disponibilidade da saúde pública. Assustador!

O que vai acontecer quando tirarmos as máscaras? Essa é uma pergunta que me faço todo dia. Agora, fomos reduzidos a falar, mostrar o que sentimos, sofrer ou estar felizes, apenas com os olhos. outro dia caí na rua e fui auxiliada por um par de olhos generosos, mas se os encontrar outra vez na rua não serei capaz de reconhecer. Não sabemos mais quem somos e quem são os outros.

Quando eu vi essa foto uma noiva e suas damas de honra usando máscaras, quase chorei. As máscaras são lindas, bordadas, combinando com o vestido da noiva, mas mesmo assim, escondem sorrisos e emoções. Um momento especial desses sem rosto?

A tristeza de meus olhos tem razão de ser, afinal.

Fotos arquivo pessoal, Unsplash (Ashkan Forouzani) e Facebook