Dizendo Não

Na semana passada, andei conversando com um head hunter que recruta jovens para o mercado de trabalho e ouvi uma coisa que nunca havia imaginado. Ele me disse que nem chamava profissionais oriundos de algumas faculdades não porque a formação técnica fosse ruim, mas porque eles não têm nenhum preparo na área de comportamento. Algumas das coisas de que ele se queixou foram a falta de resposta ao final do processo e a ausência em entrevistas marcadas quando os candidatos não aparecem nem avisam que vão faltar, enfim, a uma série de pequenas indelicadezas que mostram pouca elegância e educação.

Não sei se esse fenômeno tem a ver apenas com os jovens em início de carreira, mas acho interessante falar para todo mundo porque um descuido pode fazer você se comportar dessa maneira e fazer perder muitos precisos pontos conquistados com muito trabalho e esforço.

Então, se você participou de um processo de seleção e, ao final, descobriu que a posição não será boa para você, não tenha receio de dizer não. Se descobriu no meio do processo, não deixe para comunicar somente no final. Não perca o seu tempo nem o do recrutador. Não pense em sumir, não atender ao telefone ou dar desculpas para não falar com a pessoa com quem você interagiu no processo. Você tem todo o direito de não querer o trabalho, mesmo que tenha se interessado num primeiro momento.

Seja delicado, diga que concluiu durante o processo que a vaga não é exatamente compatível com suas atuais expectativas, mas seja firme. Comunique sua decisão pessoalmente se for possível, mas por telefone não fica ruim. Até um email poderá resolver a questão mas não é tão efetivo ou gentil quanto um telefonema ou uma visita. Agradeça a oportunidade e diga o quanto se sentiu lisonjeado por ter sido lembrado para a vaga. Se tiver interesse na proposta para o futuro, proponha retomar o contato dentro de alguns meses. Se não tiver, lembre-se que você poderá precisar de outra posição oferecida pelo mesmo recrutador em outro momento, fique com o contato e deixe uma boa impressão.

Se conhecer uma pessoa mais adequada para o cargo pergunte se pode indicar o nome de alguém de suas relações para o emprego. Isso poderá ser simpático para a empresa e você poderá ajudar um amigo que esteja atrás de oportunidades. Não indique para o cargo alguém mal qualificado. Mesmo que você tenha descoberto que a vaga não lhe serve no momento, indicar alguém fraco vai dar a impressão de desprezo pelo processo de recrutamento do qual você participou. Isso desvaloriza automaticamente seu próprio passe.

Viu como é fácil? Pequenos gestos gentis deixam portas abertas e possibilidades de oportunidades em outras ocasiões. Tenha certeza de que, se você precisar, isso fará uma grande diferença. Se não precisar… Bem, no mínimo você garantiu simpatia e boa vontade.

Saber a hora certa de iniciar a saída é difícil

Tenho visto tantas pessoas desnorteadas, confusas, até chocadas  quando deixam seus empregos de executivos em grandes empresas e não acham logo outro  semelhante. É um momento de perplexidade, de confusão e – porque não reconhecer? -, de sofrimento. Fico me perguntando então por que não nos preparamos antecipadamente para esse momento?

Do que eu posso perceber, as pessoas não acreditam que o dia de sair de sua posição corporativa vai chegar. Todos nós nos convencemos e nos dizemos todos os dias que vamos ser a exceção à regra que corta cabecas de executivos quando eles atingem uma certa idade. Os artigos de revistas de recursos humanos falam da necessidade e capacidade de o mercado absorver pessoas em razão de sua grande experiência, independente da idade. Gostamos de acreditar que somos ágeis o bastante para continuar antenados, atualizados com o conhecimento e a tacnologia, o bastante para que a empresa esqueça de perguntar em que ano nascemos. Lamento, mas nem uma coisa nem a outra são verdadeiras.

Pois bem, fui conversar com uma head hunter que admiro muito, Magui Lins de Castro, da CTPartners, para saber a opinião dela sobre quando os executivos devem começar a preparar sua saída da vida corporativa. Como me pareceu que isso pode mudar, dependendo das necessidades de mercado, usei o “apagão de mão de obra” tão falado como uma realidade do Brasil atual e da necessidade de toda mão de obra qualificada do país. Entretanto, segundo Magui, a idade para iniciar o projeto de saída é 40 anos se você é de uma área como marketing e de 45 anos em áreas mais conservadoras, como engenharia, vendas ou administração. Parece muito cedo, pelo menos para mim, mas é a realidade.

Se você é da área de marketing pode ter uma sobrevida transferindo-se para a área de vendas, de onde poderá dar o passo que o levará até a presidência, se você for o tal. Na presidência de uma empresa, sua vida corporativa pode chegar até os 55 ou 60 anos. Diretorias financeiras mantêm seus executivos até uns 55 anos e as técnicas, de produção e de administração podem chegar a mantê-los até os 60, mas em poucos casos.

Enfim, se você passou dos 40 anos, comece a pensar no que vai fazer quando a vida corporativa fechar as portas para sua excelência técnica e sua experiência. Pense se quer trabalhar por sua conta, prestando consultoria, ou partir para um empreendimento novo. Em qualquer caso, volte a estudar e preparar-se para trabalhar em outros setores, diferentes do seu atual setor. Isso vai evitar que você fique perplexo quando sua empresa dispensar você e não quiser que você seja o  seu consultor preferencial.

Bem, esse é um tema tão complexo que merece muitas discussões, portanto eu voltarei a ele. Por enquanto, levantei o assunto para chamar a atenção dos quarentões que estão no auge, sem perceber que podem tropeçar logo ali na frente. O mais importante de tudo, porém é que as alternativas existem e, na maioria das vezes, levam a uma vida melhor, produtiva, criativa e mais feliz.