Pronoia, sabe o que é isso?

Pronoia é o oposto de paranoia. É apenas um dos muitos conceitos que aprendi recentemente num livro chamado Give and Take, de um professor e pesquisador da Wharton School, Adam Grant. Captura de Tela 2015-01-28 às 14.47.41

Pronoia é definida como sendo “a crença delirante de que as pessoas estão tramando para o seu bem-estar ou dizendo coisas agradáveis a seu respeito sem você saber”.

Não é maravilhoso quando esse delírio constroi uma nova realidade? Em vez de ficar achando que os outros estão tramando “contra” você, pensar que eles estão tramando “a seu favor” traz uma nova perspectiva para seu caminhar na vida. É um pensamento positivo que, de alguma maneira, pode criar ao seu redor um ambiente de bem estar e confiança.

Captura de Tela 2015-01-28 às 14.49.13Fiquei encantada em aprender sobre esse novo conceito. Otimismo, mesmo que sem uma base firme na realidade, sempre me faz sentir melhor.

Para ser exata, o conceito é novo para mim, mas o termo é bem antigo. No século XI, já definia sistema de doação e propriedade da terra no Império Bizantino, que alguns compararam com o feudalismo ocidental.

Segundo a Wikipedia, o conceito atual pode ter aparecido pela primeira vez em 1982, quando a revista acadêmica Problemas Sociais publicou um artigo intitulado “Pronoia”, pelo Dr. Fred H. Goldner, do Queens College descrevendo um fenômeno oposto à paranoia e proporcionando inúmeros exemplos de pessoas específicas que apresentaram essa característica.

Descobri ainda que o conceito já foi trazido para São Paulo através do DJ (disc-jóquei) francês Yves La Marre, mais conhecido como Ujjain (seu nome indiano). Ele é um dos adeptos dos “zippie”, versão atualizada dos hippies, que tentam associar os ideais românticos dos anos 60, como “paz e amor”, às novidades tecnológicas da década atual, como a Internet e a música digital.

Captura de Tela 2015-01-28 às 18.50.46A pronoia é um dos princípios fundamentais dos “zippies” mas não está ligada somente a eles. Já está sendo olhada e estudada por pesquisadores e estudiosos que observam o comportamento humano e as relações no ambiente do trabalho. Pronoia pode ser um fator de sucesso!

Eu decidi e gostaria de ter mais gente comigo: vamos todos ser mais “pronoicos”? E, adicionalmente, trabalhar mais a favor dos outros? Quem sabe, com isso podemos ajudar na criação um mundo melhor.

A Lenda de Noé e a responsabilidade de cada um na construção do futuro

No último sábado, participei de uma aula genial com o Professor Jean Bartoli. Ele é uma pessoa muito interessante, genial eu diria, e faz qualquer um parar para refletir. O texto abaixo, que ele nos trouxe, me fez pensar em nossa responsabilidade individual e coletiva na construção do futuro. Resolvi compartilhar, porque acredito firmemente que existem muitas pessoas com o mesmo tipo de preocupação e, quem sabe, ler esse texto pode ajudar a achar caminhos de ação. Acredito que podemos encontrar vários Noés por aí ou, até mesmo, ser um deles.

“Noé estava cansado do papel de profeta da infelicidade e de sempre anunciar uma catástrofe que nunca vinha e que ninguém levava a sério. Um dia, vestiu um velho saco e espalhou pó sobre a cabeça. Este gesto só era permitido a quem pranteava um filho querido ou a esposa. Vestindo a roupa da verdade, ator da dor, voltou para a cidade, decidido a reverter em seu benefício a curiosidade, a malignidade e a superstição dos moradores. Em pouco tempo, juntou-se a seu redor uma pequena multidão curiosa e as perguntas começaram a surgir. Perguntaram se alguém tinha morrido e quem era. Noé respondeu que muitos tinham morrido e que esses mortos eram eles, o que provocou gargalhadas. Quando lhe perguntaram quando tinha acontecido tal catástrofe, ele respondeu: amanhã. Aproveitando então a atenção e a aflição dos ouvintes, Noé ergueu-se e, do alto de sua grandeza, começou a falar: depois de amanhã, o dilúvio será algo que já aconteceu. E quando o dilúvio tiver acontecido, tudo que é nunca terá existido. Quando o dilúvio tiver arrastado tudo o que existe, tudo que tiver existido, será muito tarde para lembrar, porque não haverá mais ninguém. Não haverá mais então nenhuma diferença entre os mortos e os que os choram. Se eu vim aqui diante de vocês, é para inverter o tempo, é para chorar hoje os mortos de amanhã. Depois de amanhã, será tarde demais. Dito isso, voltou para casa, trocou de roupa, tirou o pó que lhe cobria o rosto e foi para sua oficina. No decorrer da tarde, um carpinteiro bateu a sua porta e lhe disse: deixa-me te ajudar a construir a arca para que tudo aquilo se torne falso. Mais tarde, um telhador juntou-se aos dois, dizendo: chove nas montanhas, deixem-me ajudá-los para que tudo aquilo se torne falso.”

Esse texto é citado em DUPUY, Jean-Pierre, Petite métaphysique des tsunamis, Paris, Seuil, 2005 p.10. Dupuy tira essa citação do livro de SIMONELLI, Thierry, Günther Anders. De la désuetude de l´homme, Clichy, Éditions du Jasmin, 2004, pg. 84-85