Ser generoso demais incomoda muito gente

Atitudes exageradas sempre correm o risco de ser mal interpretadas, especialmente no ambiente de trabalho, onde a competição é constante e pessoas muito diferentes compartilham espaço, tempo e têm que atuar juntas. Parece incrível, entretanto que atitudes exageradas, mesmo que sejam tomadas com as melhores intenções, acabam criando reações de antipatia e criar um clima desagradável (provavelmente em todos os ambientes).

Li há algum tempo atrás uma reportagem na revista Você SA falando sobre o assunto. A conclusão foi baseada numa pesquisa elaborada por dois pesquisadores americanos, Craig Parks e Asako Stone, cujos resultados foram publicados num estudo intitulado O Desejo de Expulsar Membros Altruístas do Grupo (The desire to Expel Unselfish People from the Group).

Se você parar para pensar, vai ver intuitivamente que o estudo fala a verdade. Quantas vezes você tenta ajudar alguém e acaba recebendo de volta apenas ressentimento? E outras tantas, você não quer ser ajudado, porque não precisa ou não quer confessar sua fragilidade momentânea e aquela pessoa exageradamente gentil e preocupada insiste em manifestar sua solidariedade? Acontece com todos e é importante estar atento tanto num quanto no outro papel.

Mesmo quando você é bonzinho com colegas de seu nível ou até menor, tem que dozar a generosidade. Boa parte das pessoas se ressentem daqueles que os ajudam porque não gostam que outros saibam das fraquezas que os envergonham. Nunca aconteceu com você de pedir um favor ou ajuda para um colega e depois lembrar a todo instante que você precisou de ajuda? Você não fica chateado com isso? Ou, não se sente meio culpado ao ver alguém sempre pronto a auxiliar outros enquanto você nem se deu conta de que podia ser útil? Esse sentimento de culpa acaba se transformando em raiva ou ressentimento.

Ser demasiado disponível, sempre pronto a ajudar os outros, voluntariar-se sempre para tarefas que ninguém quer, tudo isso pode passar a impressão de que a pessoa está tentando destacar-se demais, que tem intenções ocultas. Se isso for mais acentuado em relacão ao “pessoal de cima”, então, nem se fala. Os colegas reagirão de uma forma efetiva, tentando marginalizar e prejudicar a pessoa.

Resumindo, seja bom, mas não seja “o bonzinho”, seja generoso, mas somente com aquelas pessoas que pedirem sua ajuda ou que você sinta que, além de precisar, querem sua colaboração. Assuma tarefas desagradáveis uma vez ou outra para mostrar sua disposição para o trabalho, mas não busque todos os trabalhos que ninguém quer. Seja solidário, mas não seja servil, isso vai acabar se voltando contra você. Bom senso sempre vai ajudá-lo a tomar a decisão certa, use-o a seu favor.

“Boazinha” ou “Carrasca”, o que é melhor para sua carreira?

Respondendo à pergunta da jornalista Nathália Braga, acho que a resposta é o caminho do meio. Ser “boazinha”, quando significa ser tolerante demais com as falhas de alguém da equipe ou quando significa sobrecarregar-se com o trabalho dos outros é péssimo. Por outro lado, ser uma “carrasca” insensível, que não é capaz de relevar uma pequena falha e nem consegue dar a chance para alguém superar um erro, também é muito ruim.

Mesmo hoje em dia, desde pequenas, a maioria das mulheres é treinada para ser assessora ou companheira, enquanto os homens são treinados para liderar, ser provedores e comandar. No trabalho, muitas vezes, as mulheres repetem o comportamento que lhes foi ensinado quando crianças. Elas tentam proporcionar felicidade a todos, têm mais receio de correr riscos para não desagradar superiores ou pessoas de quem gostam mais. Ao mesmo tempo, elas têm medo de ter um grau de ambição alto, porque ambição parece colocar em cheque sua feminilidade. Essas características de “boazinha” não ajudam em nada mulheres que têm pretensão de liderar equipes e subir na hierarquia da empresa.

Por outro lado, muitas vezes elas acham que para consolidar sua liderança devem copiar as piores características masculinas, tornando-se arrogantes e mandonas. Esquecem que melhor resultado pode ser obtido com aquilo que é da essência feminina, como flexibilidade, solidariedade, capacidade de cooperação e facilidade de relacionamento. Mulheres, no geral têm perfil analítico mais aguçado, são mais adaptáveis e abertas à inovação. Isso precisa ser usado e mostrado.

É importante para uma mulher evidenciar suas características positivas, inclusive as de empatia e capacidade de obter o melhor de cada um, pois são elas que farão diferença no mundo competitivo do trabalho. Comportar-se como carrasco, além de não trazer bom resultado, vai contra a natureza das mulheres. O cuidado deve ser tomado para não exacerbar características de sofredora ou mãe de todos….

Eventos especiais: Velórios

Minha amiga Béia Carvalho, inconformada com as atitudes inadequadas que constatou em velórios que teve que ir, me pediu que escrevesse a respeito. Confesso que precisei parar para pensar em como muitas vezes não nos damos conta de que alguns ambientes exijem um respeito e uma formalidade extras. Incluo nisso os velórios, mas também eventos religiosos de qualquer natureza, eventos solenes e assim por diante.

Ficando nos velórios, esse é um momento realmente delicado. Momento de sofrimento das pessoas próximas, momento de reflexão para quem está bem de saúde, momento de solidariedade com quem perdeu alguém importante. Não é possível ser insensível a ponto de não perceber que um comportamento mais contrito é necessário e que boas maneiras são exigidas na ocasião.

Portanto, se você é mulher, esqueça definitivamente de produzir-se para ser a mais sexy da parada. Deixe para a balada, as compras, o cruzeiro, o restaurante. Nada de saltos gigantescos, decotes profundos, maquiagem pesada. Nem pense em adotar a linha contrária, ou seja, shorts, camiseta e havaianas. Havaianas são ótimas, até para a balada e você pode trocar de namorado se ele não quiser sair com você de havaianas, mas no caso de um velório, ele tem razão. Tênis também não funcionam, aliás tênis, a menos dos de passeio que você pode usar nas compras, é para a aula de ginástica ou a caminhada no parque.

Se você é homem, esqueça a bermuda, a camiseta regata, os chinelos e os tênis, a menos que eles sejam de passeio. Calça e camiseta ficam bem, desde que a camiseta seja mais alinhada, tipo polo e não tenha nenhum manifesto de banda de rock ou daqueles tipo “vagabundo na Bahia” ou “conservado em tequila”.

Entretanto, mais importante do que tudo é o comportamento. Se você for ao velório apenas para cumprir com uma obrigacão social, mesmo assim, tem que respeitar a dor das outras pessoas. Se encontrar um velho amigo, nada de manifestações grandiosas, saudações escandalosas. Seja mais comedido, fale baixo e, se realmente ficar muito feliz em encontrar aquele velho amigo da escola, saia de lado, vá para um canto longe para curtir sua felicidade sem jogá-la na cara dos que estão infelizes.

Não fique contando em voz alta para suas amigas a “loucura” que foi a balada da noite anterior nem fique rindo de situações que aconteceram em outro ambiente. Você não precisa ficar muito tempo no velório, cumprimente a todos os que devem ser cumprimentados (no geral a família, mais especialmente aqueles que você conhece), disfarce e convide suas amigas ou amigos para tomar um café na padaria da esquina.

Tenho certeza de que, apesar de as pessoas ficarem meio transtornadas num momento de dor, alguém vai notar se seu comportamento for inadequado e sua imagem vai sofrer um arranhão significativo. Você é melhor que isso, não é?